FenilcetonÚria

Segundo dados do Ministério da Saúde de 2004, a incidência da fenilcetonúria é bem variável, abrangendo números que vão desde 1: 3.000 nascidos vivos na Turquia até 1: 60.000 no Japão1. Nos Estados Unidos, a fenilcetonúria atinge aproximadamente uma criança para cada 15.000 nascidas6. No Brasil, a prevalência gira em torno de 1: 15.000 a 1: 20.000 nascidos vivos1.

O diagnóstico neonatal é de suma importância, visto que previne o desenvolvimento dos sintomas. A partir do terceiro ou quarto mês de vida começam a aparecer os sintomas clínicos como retardo do desenvolvimento, inquietude e até mesmo convulsões2. O diagnóstico desta doença é feito por meio do teste do pezinho – que também identifica hipotireodismo congênito, anemia falciforme e fibrose cística. Este exame deve ser feito até sete dias após o nascimento da criança e, em caso de resultado positivo, o tratamento é baseado em restrição de fenilalanina da dieta2, 3.

Manifestações clínicas da doença2:
• Retardo do desenvolvimento psicomotor
• Retardo mental
• Odor desagradável na urina
• Irritabilidade
• Pigmentação cutânea
• Eczema
• Epilepsia

A fenilcetonúria é uma doença de caráter autossômico recessivo caracterizada por deficiência na enzima hepática fenilalanina hidroxilase, que converte a fenilalanina em tirosina. A classificação da fenilcetonúria é baseada nos níveis de hiperfenilalaninemia que variam de severa a hiperfenilalaninemia persistente de acordo com a concentração da fenilalanina no sangue3. Em aproximadamente 2% dos casos, o erro genético se dá na biossíntese e na regeneração da co-enzima tetrahidrobiopterina. As concentrações elevadas de fenilalanina vão causar toxicidade no sistema nervoso central3 . Este efeito ocorre devido a fenilalanina possuir, por afinidade química, maior facilidade de passagem na barreira hematoencefálica do que o triptofano. Com isso, a fenilalanina se acumula no líquido cefalorraquidiano. A presença em menor escala do triptofano e o defeito de conversão da fenilalanina em tirosina, resultam em baixas taxas de formação dos neurotransmissores serotonina e dopamina. Assim, o excesso da fenilalanina causa a formação de proteínas anômalas que estão associadas com proliferação dendrítica e mielinização defeituosas5. Durante a gestação é de extrema importância que as futuras mães fenilcetonúricas controle os níveis da fenilalanina, pois, são maiores os riscos do desenvolvimento de fetos com microencefalia, baixo peso ao nascer e doenças congênitas do coração7, 8.

O tratamento dietoterápico precoce previne o desenvolvimento dos sintomas que possui como principal manifestação o retardo mental. Devem ser excluídos da dieta do fenilcetonúrico alimentos de origem protéica (carne, ovos, leite e derivados), leguminosas, oleogenosas, trigo e milho3. Desse modo, a alimentação fica restrita e deficiências nutricionais podem ocorrer. Uma das estratégias dietéticas para evitar problemas de carências é o uso diário de uma fórmula isenta fenilalanina e de produtos e de alimentos com baixo teor deste, para suprir as necessidades de proteína e nutrientes chaves para o crescimento e desenvolvimento da criança6.

Na década de 50, foram desenvolvidas as primeiras fórmulas alimentares isentas de fenilalanina, permitindo a substituição precoce da alimentação do lactente, o que previne, de modo eficaz, o retardo mental4. Atualmente a VITTAFIX, empresa brasileira, cujo propósito é melhorar a qualidade de vida destes pacientes com dieta severamente restrita, desenvolveu o Composto Alimentar RILLA.
Preocupados com a inserção social destes indivíduos a VITTAFIX, também possui uma linha alimentar com baixos teores de fenilalanina que facilita a criatividade na alimentação do fenilcetonúrico. E com este objetivo, visa criar novos produtos de qualidade, adequados ao dia a dia e as suas necessidades.

Referências

1) Brasil. Ministério da Saúde. Políticas, Programas e Ações: alguns exemplos. Seminário Nacional de Saúde da População Negra Brasília – 18 a 20 de agosto de 2004.
2) Mira, NVM; Márquez UML. Importância do diagnóstico e tratamento da fenilcetonúria Revista de Saúde Pública. 34(1):86-6; 2000.
3) Santos LL; et al. The time has come: a new scene for PKU treatment. Genetics and Molecular Research. 5 (1): 33-44; 2006.
4) Amorim T; et al. Aspectos clínicos da fenilcetonúria em serviço de referência em triagem neonatal da Bahia. Revista Brasileira de saúde Materno-Infantil. 5 (4): 457-462; 2005.
5) Ormazabal A; et al. Mecanismos de patogenia en la fenilcetonuria: alteraciones Del metabolismo de los neurotransmisores y del sistema antioxidante. Revista de Neurologia. 39 (10): 956-961; 2004.
6) National Institutes of Health: Consensus Statement. Phenylketonuria (PKU):
Screening and Management. Volume 17, Nº 3, 16–18 de outubro; 2000.
7) Matalon KM; Acosta PB; Azen C. Role of nutrition in pregnancy with phenylketonuria and birth defects. 112;1534-1536; 2003.
8) Figueiró-Filho EA; et al. Fenilcetonúria Materna: Relato de Caso. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. 26 (10): 813-817; 2004.

Artigos científicos relacionados

Mãe Fenil Relato de Caso 2004
National Inst of Child Health 2003
Pacientes que Gerenciam suas Dietas 2003
Variáveis Familiares 2004

Legislação

Portaria nº 29 da ANVISA de 13/01/1998
Decretou que a expressão “contém fenilalanina” deve constar em todo produto que contiver aspartame.
http://e-legis.anvisa.gov.br/leisref/public/showAct.php?id=17213&word=fenilalanina

Lei Federal 8.069 de 13/07/1990
Decretou a obrigatoriedade do Teste do pezinho em todas as maternidades e hospitais do Brasil.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm

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